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Consumidores estão menos confiantes, afirma pesquisa

Consumidores estão menos confiantes, afirma pesquisa

Fatores como a pandemia de Covid-19, incertezas em relação ao emprego, inflação elevada e economia sem tração colaboram com esse resultado

Os consumidores de Fortaleza estão menos confiantes para irem às compras, segundo mostra a pesquisa Índice Confiança do Consumidor (ICC) realizada nos meses de março e abril deste ano. O levantamento, realizado pela Fecomércio Ceará, através do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), revela que nesses dois meses, a confiança do consumidor despencou, marcando 96,8 pontos, frente a 108,4 pontos registrados em janeiro e fevereiro de 2021.

De acordo com a pesquisa, essa queda se deve a um conjunto de fatores, como um período de mais aperto financeiro, perspectivas incertas em relação ao emprego, inflação elevada e economia sem tração. Aliado a tudo isso, deve-se levar em conta também o recrudescimento da pandemia de Covid-19 e a decretação de mais um isolamento rígido, fechando o comércio de bens, serviços e turismo, o grande responsável pela geração de emprego e renda.

A redução da confiança em Mar-Abr/21 foi de 10,6% ante o bimestre anterior. No segundo bimestre de 2021, o indicador de confiança voltou praticamente ao mesmo patamar registrado em Mai-Jun/20, período em que houve a retomada gradual da economia, ocorrida após o primeiro lockdown, quando marcou 96,1 pontos. 

Na atividade produtiva, setores que vinham buscando se ajustar e retomar buscando fôlego, voltaram a viver o quadro negativo. Em meio a todos esses fatores de deterioração econômica, a confiança do consumidor na Capital cearense vem em uma espécie de gangorra nos últimos 14 meses, em uma clara radiografia da instabilidade vivida desde o ano passado.

Essa queda também é observada no Índice de Situação Presente (ISP) e no Índice de Expectativas Futura (IEF). No caso do ISP, passou de 91,0 pontos em Jan-Fev/21 para 64,4 pontos em Mar-Abr-21 uma retração de 29,2%. Ao longo de 14 meses, o melhor indicador no Índice de Situação Presente foi verificado em Mar-Abr/20, aos 102,9 pontos, e ainda assim, um dado considerado baixo.

Já o IEF, à medida em que a situação socioeconômica se deteriora em meio à pandemia, Índice de Expectativas Futuras vem em decréscimo. Passou de 121,2 pontos, em Nov-Dez/21, para 119,9 pontos em Jan-Fev/21, chegando a 118,4 pontos em MarAbr/21, uma queda de 1,2% em comparação bimestre anterior.

Fatores como a espera para a retomada do auxílio emergencial, ampliando o contingente da população vulnerável, pressão sobre os preços e maior taxa de desemprego, bem como um novo lockdown, determinam a perda de renda, sem perspectivas imediatas de melhora. No início de abril o auxílio emergencial voltou a ser liberado, mas em valores menores e não abrangendo todo o contingente da primeira fase, deixando à margem uma parcela importante da população.

Confiança e situação das famílias

Mesmo diante das dificuldades enfrentadas com a pandemia e a conjuntura adversa, há um grupo de consumidores da população fortalezense que apresenta melhor indicador de confiança. São pessoas do sexo masculino, com 103,6 pontos; com idade entre 18 e 24 anos, marcando 111,5 pontos; faixa de escolaridade Superior, com 107,5 pontos; e renda familiar na faixa acima de 10 salários mínimos, 111,1 pontos, portanto, confortável financeiramente.   

Em relação à situação financeira das famílias fortalezenses, a pesquisa aponta que, para a maioria (52,7%), a situação está ruim, enquanto outros 9,0% consideram péssima. Em contraponto, 37,4% avaliam a situação atual como boa e só 0,9% diz estar ótima.

Questionados sobre a percepção acerca da possível compra de bens duráveis, ou seja, de maior valor, a disposição dos entrevistados reflete a situação de contenção de despesas e também a perda de poder aquisitivo de uma representativa parcela da população. Segundo o levantamento, 50,6% enxergam o momento como ruim e há 36,8% que acham péssima a perspectiva para consumir no momento, evidenciando a falta de condição financeira. Só 12% consideram a compra no mês seguinte, enquanto 0,6% diz ser ótima essa possibilidade.

Percepção e Expectativas dos Consumidores 

Em meio a um cenário de incertezas, as expectativas para o ano de 2021 e para os próximos cinco anos, considerando o cenário eleitoral de 2022, possuem grande peso para como estará a vida do consumidor fortalezense. De acordo com a pesquisa, há praticamente uma divisão sobre como o consumidor da Capital vislumbra o País em 12 meses. Enquanto 43,3% enxergam uma situação econômica ruim (43,3%) e 11,3% entendem que será péssima, outros 41,2% acreditam que será boa e 4,1% apostam em uma perspectiva ótima.

Já perspectiva econômica de longo prazo para o País foi analisada com maior otimismo por uma parcela mais significativa da população. Para 66,5% dos consumidores, o momento será bom e 8,6% acreditam que será ótimo; 20,7% enxergam a situação futura como ruim e para 4,2% será péssima.

Intenção de Compra dos Consumidores 

A taxa percentual de intenção de compra mensal dos consumidores também apresentou queda nos meses de Mar-Abr/21. Somente 24,5% afirmaram ter a intenção de consumir. É o menor percentual nos últimos 14 meses, um patamar que revela extrema cautela por parte da população e preocupação para o comércio de bens e serviços e turismo.

No bimestre anterior, esse número foi de 45,8%, o maior nível nos últimos 14 meses no cenário de pandemia. Portanto, houve uma reversão na tendência de gradual recuperação e ganho de maior tração para o consumo.

Os produtos mais procurados são vestuário (30,3%), celular/smartphones (26,8%), calçados (16,5%) e televisão (13,3%). As mulheres são o gênero com maior propensão a comprar (25,6%); enquanto pessoas com idade de 25 a 34 anos, portanto, em uma faixa etária mais produtiva, aparecem também entre os que se mostram maior ênfase para consumir, com 32,3%. - Por escolaridade, o grupo com nível superior figura com 28,9% das intenções e, por faixa de renda se mostram com maior disposição de comprar (30,5%), aqueles que percebem entre cinco e 10 salários mínimos mensais.

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