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Painel Analítico – Saúde

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Análise do Panorama de Saúde e Demografia do Ceará

Perfil Demográfico

O ponto de partida para compreender a saúde cearense é sua base populacional. Segundo os dados do Censo de 2010, o Ceará contava com 8.623.014 habitantes, distribuídos em 14 regiões de planejamento que vão desde a Grande Fortaleza até regiões interioranas como o Sertão dos Inhamuns, o Cariri e o Vale do Jaguaribe. A pirâmide etária daquele período exibia uma estrutura relativamente jovem, com as faixas de 15 a 19 anos e 20 a 24 anos respondendo pelos maiores contingentes populacionais — mais de 420 mil pessoas em cada grupo. As bases da pirâmide, referentes a crianças de 0 a 9 anos, ainda eram expressivas, mas já indicavam uma tendência de estreitamento, reflexo da queda da fecundidade que se acentuaria na década seguinte. Em praticamente todas as faixas etárias, as mulheres superam os homens em número absoluto, diferença que se acentua nas idades mais avançadas — padrão esperado pela maior expectativa de vida feminina.

Infraestrutura Hospitalar e Ambulatorial

O Ceará dispõe de 324 hospitais e um total de 23 mil leitos, o que resulta em uma razão de apenas 2 leitos por 10 mil habitantes — índice consideravelmente abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que é de 3 leitos por mil habitantes (ou seja, 30 por 10 mil). Esse déficit é ainda mais crítico quando se considera a distribuição geográfica desigual desses equipamentos, com forte concentração em Fortaleza e nos municípios de maior porte, deixando regiões interioranas em situação de escassez acentuada. Os mapas de estabelecimentos e leitos por 10 mil habitantes ilustram visualmente essa heterogeneidade territorial, com municípios do interior — especialmente no sertão — aparecendo em tons mais claros, indicando menor cobertura relativa. Além dos hospitais, a estrutura conta ainda com pronto-atendimentos e estabelecimentos sem categoria definida, reforçando a necessidade de melhor mapeamento e padronização da rede assistencial.

Oferta de Profissionais de Saúde

A escassez de infraestrutura é acompanhada por uma oferta igualmente restrita de profissionais. O estado conta com apenas 407 profissionais de saúde no recorte analisado, com uma densidade de 0,04 profissional por 10 mil habitantes — número que, isoladamente, evidencia a precariedade da cobertura em saúde fora dos grandes centros. Desse total, são 50 médicos, 66 enfermeiros, 117 técnicos de enfermagem e 183 profissionais de enfermagem geral. A proporção enfermeiro/médico é de 1,32, e a de enfermagem geral/médico chega a 3,66, sugerindo uma estrutura de cuidado que depende fortemente de profissionais de nível técnico e intermediário, com baixa densidade médica. A distribuição geográfica dos profissionais também é marcadamente concentrada, como mostra o mapa com poucos municípios em tons mais escuros — a maioria das cidades aparece sem coloração, indicando ausência ou subnotificação de profissionais cadastrados. A composição por tipo de profissional revela que técnicos de enfermagem (27,27%) e fisioterapeutas (cerca de 15,97%) respondem pelas maiores fatias, seguidos de enfermeiros (aproximadamente 15,7%) e médicos clínicos (10,81%). Assistentes sociais representam 7,62% do total, o que aponta para alguma atenção ao componente social do cuidado em saúde.

Doenças e Agravos de Notificação Compulsória

Entre janeiro de 2018 e junho de 2025, o Ceará registrou 146.394 casos de doenças e agravos de notificação compulsória, com distribuição praticamente equânime entre os sexos — 51,32% masculino e 48,59% feminino. O agravo de maior volume é o atendimento antirrábico humano, com 91.332 registros, o que representa 62% do total e sinaliza uma exposição massiva da população a animais potencialmente transmissores da raiva, especialmente em áreas rurais. Em segundo lugar em volume absoluto está a Febre de Chikungunya (19.604 casos), seguida de intoxicação exógena (9.748) e doença aguda pelo vírus Zika (4.510). A hanseníase, com 3.300 casos, e a leishmaniose tegumentar, com 1.372, completam o perfil de doenças com maior impacto no estado — todas com forte componente socioeconômico e ambiental. A série temporal dos casos mostra um pico expressivo ao redor de 2024, com registros semanais chegando a 520 casos, o que sugere surtos ou intensificação de arboviroses naquele período. O gráfico evidencia também que a pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2021, pode ter causado subnotificação temporária de outras doenças, com os números se recuperando e superando patamares anteriores nos anos seguintes.

Doenças e Agravos em Gestantes

Um recorte especialmente sensível é o das gestantes. No período de janeiro de 2019 a dezembro de 2024, foram notificados 2.830 casos de doenças e agravos em mulheres grávidas no Ceará. A toxoplasmose gestacional é o agravo mais frequente, com 1.674 casos — mais da metade do total —, condição de alto risco para o feto e que reflete lacunas no pré-natal e nas condições sanitárias. O atendimento antirrábico em gestantes somou 544 casos, seguido por Febre de Chikungunya (278), Zika (122) e intoxicação exógena (108). Tuberculose (56), leishmaniose visceral (12) e meningite (12) também foram registradas, impondo riscos adicionais às gestações. A distribuição por trimestre mostra maior concentração de casos no segundo trimestre (994), seguido do terceiro (886) e do primeiro (716), com 234 casos com idade gestacional ignorada. A série temporal indica intensificação das notificações entre 2022 e 2024, possivelmente reflexo de maior vigilância epidemiológica ou de aumento real dos agravos.

Operadoras de Planos de Saúde

No que se refere à saúde suplementar, o Ceará contava em 2022 com 443 operadoras de planos de saúde atuando em 184 municípios — o que significa que parte considerável dos 184 municípios do estado sequer tem cobertura da saúde privada. A modalidade dominante é a cooperativa médica (187 operadoras), seguida por autogestão (78), medicina de grupo (74), odontologia de grupo (41), cooperativa odontológica (48), filantropia (8) e seguradora especializada em saúde (7). Entre as principais operadoras por número de beneficiários, destacam-se a Hapvida Assistência Médica, a Unimed de Fortaleza, a OdontoPrev e a Bradesco Saúde, configurando um mercado com alto grau de concentração em poucos grupos.