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Ceará tem 3,75 milhões de ocupados e alta informalidade.

PNAD expõe estrutura do mercado de trabalho cearense: serviços dominam a ocupação, enquanto pobreza e transferências de renda ainda marcam o perfil social do estado

Os dados da PNAD (4º Trimestre de 2025) mostram que o Ceará conta com uma população de 9,26 milhões de pessoas, das quais 7,58 milhões estão em idade ativa (PIA), representando 81,82% do total. Desse grupo, 3,95 milhões integram a População Economicamente Ativa (PEA) — 52,11% da PIA —, enquanto 3,63 milhões compõem a População Não Economicamente Ativa (PNEA). Os dados, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), revelam um mercado de trabalho amplo, mas ainda estruturalmente fragilizado por vínculos precários e pela persistência da pobreza.

Dos 3,95 milhões que compõem a PEA, 3,75 milhões estão ocupados — taxa de ocupação de 95,05% dentro da população economicamente ativa — e 195 mil estão desempregados, representando 4,95%. À primeira vista, o índice de desocupação parece controlado, mas o quadro se complica ao se examinar a qualidade dos vínculos de trabalho. Entre os ocupados, 1,90 milhão (50,71%) estão na informalidade, enquanto 1,85 milhão (49,29%) possuem emprego formal. A informalidade supera a formalidade em termos absolutos, expondo uma parcela majoritária dos trabalhadores cearenses a condições de maior vulnerabilidade econômica e ausência de proteção previdenciária plena.

A distribuição dos ocupados por tipo de vínculo reforça esse cenário. O emprego no setor privado responde por 18,79% do total (1,74 milhão), enquanto trabalhadores por conta própria somam 1,05 milhão (11,36%) — categoria que concentra boa parte da informalidade e do empreendedorismo de necessidade. Empregados do setor público são 570 mil (6,15%), e empregados domésticos chegam a 231 mil (2,50%), grupo historicamente sub-representado nas estatísticas de proteção social. Apenas 114 mil pessoas figuram como empregadores (1,23%), evidenciando a baixa densidade empresarial com capacidade de gerar emprego para terceiros.

Por setor, os Serviços dominam com 1,92 milhão de ocupados (51,31%), seguidos pelo Comércio com 745 mil (19,84%) e pela Indústria com 743 mil (19,80%). A Agricultura, apesar de sua importância histórica e territorial no Ceará, responde por 339 mil trabalhadores ocupados — apenas 9,05% do total —, reflexo da migração rural-urbana e das transformações produtivas que reduziram a participação relativa do campo na geração de renda formal.

No lado da PNEA, os dados mais preocupantes dizem respeito aos 187 mil desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego —, equivalente a 61,96% da força de trabalho potencial. Somados aos 115 mil não desalentados, esse grupo evidencia um contingente significativo de cearenses à margem do mercado produtivo. No campo social, 710 mil pessoas vivem em situação de pobreza (7,67%) e 151 mil em extrema pobreza (1,64%), enquanto 1,34 milhão de famílias (14,55% da população) dependem de programas de transferência de renda. O retrato exige políticas integradas de qualificação, formalização e geração de renda para que o crescimento do estado alcance quem ainda está fora dele.