Serviços e indústria lideram as contratações e compensam recuo pontual na agricultura, mantendo saldo positivo em todos os demais setores
O mercado de trabalho formal encerrou o mês com saldo positivo de 6.628 vagas, resultado que esconde dinâmicas bastante distintas entre os setores da economia. O desempenho foi puxado sobretudo pelos Serviços, com geração intensa de 5.368 empregos, e pela Indústria, que contribuiu com 1.306 postos. O Comércio somou 387 vagas, enquanto a Agricultura foi o único setor a registrar fechamento, com perda líquida de 433 postos de trabalho formal.
O protagonismo dos Serviços reflete uma tendência estrutural da economia urbana contemporânea. O destaque positivo do mês foi o segmento de fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros, com 644 vagas abertas — indicativo de que empresas seguem terceirizando funções e ampliando a contratação via intermediadoras de mão de obra. Em contrapartida, atividades de vigilância e segurança privada responderam pela maior retração dentro do setor, com recuo de 527 postos. Ainda assim, o saldo setorial cresceu 1.489 vagas em relação ao mês anterior, sinalizando aceleração do ritmo de contratações.
Na Indústria, o resultado de 1.306 vagas foi impulsionado por instalações elétricas, hidráulicas e similares em construções, com 289 postos gerados. O setor de obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações e saneamento, por outro lado, eliminou 296 vagas — sugerindo uma transição entre fases de obras que redistribui a mão de obra sem necessariamente destruí-la. O saldo industrial caiu 516 postos em relação ao mês anterior, o que indica desaceleração, mas ainda dentro de um patamar considerado saudável para o período.
O Comércio apresentou resultado modesto, porém positivo: 387 vagas, com o comércio varejista de alimentos, bebidas e fumo liderando as contratações com 121 postos. O segmento de artigos culturais, recreativos e esportivos registrou a maior perda, com recuo de 92 vagas — reflexo provável da pressão sobre o consumo discricionário em um cenário de renda comprimida para parte da população. O setor melhorou em 777 vagas frente ao mês anterior, sugerindo recuperação após um período mais fraco.
O resultado mais preocupante veio da Agricultura, único setor no vermelho, com fechamento de 433 vagas formais. A perda foi concentrada na produção de lavouras temporárias, que eliminou 333 postos — segmento sensível à sazonalidade das colheitas e às condições climáticas. A horticultura e floricultura amenizou parte do impacto, com saldo positivo de 14 vagas. O setor está em linha com a média histórica para o período, o que relativiza o alarme imediato, mas reforça a necessidade de políticas de qualificação rural e diversificação produtiva para garantir empregos formais estáveis no campo ao longo do ano.