Por Ascom, 18/09/26 - 17:41
A Câmara de Tecnologia e Inovação (CTI) da Fecomércio-CE realizou, nesta sexta-feira, 18, reunião ordinária com o tema “Melhorando a resiliência e a capacidade de resposta das cadeias de suprimentos aeroespaciais por meio da Cibersegurança”. O encontro foi realizado na sede da Fecomércio e contou com a participação do doutor em Ciências Empresariais pela Universidade do Minho, Núbio Vidal, pesquisador de um projeto da Airbus voltado à cibersegurança da cadeia de suprimentos.
Presidida por Raniere Medeiros, a CTI trouxe para o debate os desafios relacionados à proteção das empresas diante do avanço das tecnologias, da inteligência artificial e da crescente interconexão entre organizações, fornecedores, sistemas e dispositivos.
Durante a apresentação, Núbio Vidal destacou que a interdependência entre empresas amplia a superfície de ataque e exige que os controles de segurança sejam estendidos a toda a cadeia de suprimentos. Como exemplo, citou o caso da Target, cuja invasão teve origem no comprometimento de um fornecedor de serviços de climatização, evidenciando como conexões consideradas confiáveis podem se transformar em portas de entrada para ataques cibernéticos.
No setor aeroespacial, a preocupação ganha dimensão estratégica, uma vez que cerca de 70% dos componentes de uma aeronave são provenientes de fornecedores. Nesse contexto, a cibersegurança está diretamente relacionada à continuidade das operações, à segurança e à conformidade. O palestrante apresentou o AirCyber como referência para avaliação da maturidade cibernética dos integrantes da cadeia e também mencionou o TISAX, utilizado no setor automotivo, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como referências importantes para a proteção de dados.
Outro ponto abordado foi a transformação acelerada do ambiente tecnológico. Segundo Vidal, a inteligência artificial e o aumento das conexões digitais ampliam tanto as possibilidades de inovação quanto os riscos. O especialista chamou atenção para ameaças como phishing, deepfakes, esquemas de extorsão e vulnerabilidades provocadas pelo uso de programas não licenciados ou desatualizados.
Entre as medidas prioritárias para as empresas, foram destacadas a avaliação contínua dos riscos, a definição de um responsável pela cibersegurança, a adoção de frameworks adequados ao porte e à realidade de cada organização, a realização de backups protegidos e testados, a segmentação de redes, a centralização de logs de sistemas críticos e a criação de indicadores para acompanhar incidentes, vulnerabilidades e tempos de resposta e recuperação.
Para Núbio Vidal, a segurança deve ser compreendida como um investimento estratégico das empresas, com impacto direto na relação com seus clientes. “Assim como cuidamos da nossa saúde por meio da prevenção e dos cuidados necessários, as empresas precisam tratar a cibersegurança como um investimento prioritário. Uma empresa segura consegue gerar mais segurança e confiança para seus clientes”, destacou Núbio Vidal.
O debate também trouxe a realidade dos micro e pequenos empresários do comércio de bens, serviços e turismo. Nesse sentido, foi ressaltada a importância da Fecomércio continuar aperfeiçoando seus canais de comunicação, orientação e suporte, utilizando suas câmaras empresariais e seu sistema de comunicação para manter sindicatos, empresas e empresários atualizados sobre ameaças, medidas de prevenção e oportunidades de aprimoramento da gestão.
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