Por Ascom, 03/03/26 - 13:38
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Fortaleza, pesquisa divulgada pela Fecomércio-Ce, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), atingiu 126,2 pontos em fevereiro de 2026, avanço de 0,1% em relação a janeiro (126,0 pontos). Trata-se do melhor resultado desde maio de 2023, quando o indicador registrou 127,3 pontos. O desempenho sinaliza um início de ano positivo para o comércio da Capital, em um contexto marcado por campanhas promocionais e liquidações típicas do período.
O resultado reflete a combinação entre melhora na avaliação da situação atual e leve recuo nas expectativas futuras. O Índice de Situação Presente (ISP) cresceu 3,1% no mês, passando de 118,5 para 122,1 pontos. Já o Índice das Expectativas Futuras (IEF) recuou 1,7%, atingindo 128,9 pontos. Ainda assim, ambos permanecem em patamar elevado, sustentando o ICC em nível considerado favorável ao consumo.
A pesquisa aponta que 63,4% dos entrevistados avaliam o momento como propício para a aquisição de bens duráveis. A percepção positiva é mais intensa entre mulheres (64,1%), consumidores de 25 a 34 anos (70,3%) e famílias com renda superior a sete salários-mínimos (72,7%).
Intenção de compra
Apesar do ambiente de confiança elevada, a intenção efetiva de compra apresentou ajuste. O índice de intenção de compra recuou de 45,5% em janeiro para 35,7% em fevereiro — queda de 9,8 pontos percentuais. Ainda assim, o resultado supera o registrado no mesmo período de 2025 (33,7%). A maior disposição para comprar é observada entre mulheres (36,1%), jovens de 18 a 24 anos (37,1%) e consumidores com renda entre três e sete salários-mínimos (42,6%).
O valor médio das compras projetadas é de R$ 636,25. Entre os itens mais demandados estão móveis e artigos de decoração (15,0%), geladeiras e refrigeradores (14,9%), roupas (13,6%), televisores (13,5%), calçados (11,8%), máquinas de lavar (9,9%) e celulares (9,0%).
A concentração da demanda em eletrodomésticos essenciais e bens semiduráveis evidencia um consumidor mais seletivo e racional, que prioriza a reposição e melhoria do conforto doméstico. O comportamento está alinhado ao calendário de liquidações do início do ano, período de ajustes de estoque no varejo.
Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, o cenário combina confiança e cautela. “Os dados mostram que o consumidor está mais confiante, especialmente em relação à sua situação financeira, mas mantém uma postura estratégica. Ele aproveita as liquidações para adquirir bens necessários, priorizando funcionalidade e preço. Isso cria um ambiente positivo para o comércio, embora ainda marcado por decisões de compra mais planejadas”, avalia.
Nesse contexto, como explica Cláudia, a confiança elevada não se converte automaticamente em expansão generalizada do consumo, mas reforça um perfil oportunístico, atento a condições mais vantajosas de preço e financiamento.
Otimismo
Em relação à situação financeira, 78,1% afirmam estar em condição melhor ou muito melhor do que há um ano. As expectativas também são majoritariamente otimistas: 85,3% acreditam que sua situação financeira deve melhorar nos próximos meses, enquanto 64,5% demonstram confiança na evolução da economia nacional no próximo ano.