Por Ascom, 03/03/26 - 13:45
A Pesquisa do Endividamento do Consumidor de Fortaleza, referente a fevereiro de 2026, aponta que 68,5% dos consumidores da Capital possuem algum tipo de dívida. O levantamento é realizado pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC).
O resultado representa alta de 0,9 ponto percentual em relação a janeiro (67,6%), mas permanece abaixo do índice registrado no mesmo mês do ano passado, quando atingiu 70,8%, mantendo a tendência de melhora na comparação anual.
Os dados indicam que os gastos essenciais seguem pressionando o orçamento das famílias. Parte significativa dos consumidores têm recorrido ao crédito para manter o consumo básico, e não para antecipar a aquisição de bens duráveis, o que contribui para a persistência de atrasos, especialmente entre os grupos de menor renda.
De acordo com a diretora institucional da Fecomércio-Ce, Cláudia Brilhante, o cenário exige atenção. “Apesar da melhora estrutural na comparação anual, observamos que o crédito tem sido utilizado principalmente para custear despesas correntes, como alimentação e saúde. Isso indica que muitas famílias ainda operam com orçamento apertado, sobretudo nas faixas de menor renda”, destaca.
Perfil do endividado
O perfil do consumidor endividado revela predominância do público feminino (70,4%), pessoas entre 25 e 34 anos (75,9%) e famílias com renda mensal entre três e sete salários-mínimos (71,8%).
Já o percentual de consumidores com contas em atraso alcançou 19,9% em fevereiro, aumento de 0,3 ponto percentual em relação a janeiro (19,6%) e acima do registrado em fevereiro do ano passado (18,0%). Entre os inadimplentes, predominam mulheres (20,5%), pessoas com mais de 35 anos (22,8%) e famílias com renda de até três salários-mínimos (20,7%). O prazo médio de atraso é de 70 dias.
As principais razões apontadas para o não pagamento das dívidas são o desequilíbrio financeiro (51,5%), o adiamento do pagamento para priorizar outras despesas (46,3%), a contestação da dívida (15,0%) e a perda do prazo por esquecimento (8,1%).
Impacto das parcelas na renda das famílias
Em média, os consumidores destinam 42,2% da renda familiar ao pagamento de dívidas, 2,5 pontos percentuais abaixo do observado em dezembro (44,7%). O valor médio das dívidas é de R$1.937, com prazo médio de oito meses para quitação total.
O cartão de crédito segue como principal modalidade utilizada (83,6%), seguido de financiamento bancário (14,9%), empréstimos pessoais (9,2%) e carnês ou crediários (3,5%).
Os dados revelam que o endividamento está fortemente associado a despesas correntes, com destaque para a compra de alimentos a prazo (56,0%). Também foram mencionados gastos com vestuário (31,4%), tratamentos de saúde (24,6%) e aluguel residencial (22,9%).
Indicador de vulnerabilidade financeira
A taxa de inadimplência potencial (possibilidade de atraso nas contas) ficou em 8,6%, recuo de 1,1 ponto percentual frente a janeiro (9,7%) e abaixo do resultado de fevereiro de 2025 (10,0%). O perfil desse grupo é majoritariamente masculino (9,0%), com idade acima de 35 anos (9,9%) e renda familiar inferior a três salários-mínimos (9,6%).
Segundo Cláudia Brilhante, a redução desse indicador é um sinal positivo. “A queda da inadimplência potencial e a redução do comprometimento médio da renda sugerem um movimento gradual de reequilíbrio financeiro das famílias. No entanto, o aumento pontual das contas em atraso mostra que ainda há vulnerabilidades importantes, especialmente entre os consumidores de menor renda”, avalia.
Controle de gastos e gestão financeira
A pesquisa também aponta que 73,1% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal com acompanhamento eficaz das despesas. Outros 15,6% dizem planejar os rendimentos, mas sem controle efetivo dos gastos, enquanto 11,3% não possuem qualquer tipo de planejamento financeiro.
Entre os principais fatores associados ao desequilíbrio financeiro estão a falta de orçamento e controle de gastos (58,4%), aumento das despesas essenciais (26,8%), compras por impulso (19,4%), gastos imprevistos (17,3%), redução de rendimentos (9,3%) e compras antecipadas (8,4%).
Os resultados de fevereiro indicam que, embora o nível de endividamento em Fortaleza ainda seja elevado, há sinais consistentes de melhora na comparação anual. Ainda assim, a concentração das dívidas em despesas essenciais reforça a necessidade de atenção ao orçamento das famílias e de políticas que ampliem a educação financeira e a estabilidade da renda.
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