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Pesquisa. Endividamento do consumidor mostra estabilidade nos últimos doze meses

Por Ascom, 18/03/26 - 11:28

Destaque

De acordo com a Pesquisa do Endividamento do Consumidor em Fortaleza, o nível de endividamento das famílias em Fortaleza atingiu 71,5% em março de 2026. O percentual representa um aumento de 3,0 pontos percentuais frente a fevereiro (68,5%), embora o indicador permaneça praticamente estável no acumulado dos últimos doze meses. Os dados são da Pesquisa de Endividamento do Consumidor, realizada pela Fecomércio Ceará por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC).

O perfil do consumidor endividado mostra predomínio do grupo do sexo masculino, com 71,7% de taxa de endividamento, do estrato com idade entre 25 e 34 anos (79,6%) e da classe com renda mensal entre três e sete salários-mínimos (79,2%).

Já quanto ao índice de consumidores com contas pendentes ou dívidas em atraso, a taxa de março foi exatamente a mesma de fevereiro, de 19,9%, mas um pouco acima da verificada em março do ano passado (19,0%).

O perfil do consumidor com contas em atraso mostra preponderância do grupo do sexo feminino (20,6%), do estrato com idade entre 25 e 34 anos (22,5%) e da faixa com renda familiar mensal de até três salários-mínimos (21,3%).

O prazo médio de atraso é de 70 dias e as principais razões para o não pagamento de dívidas são o desequilíbrio financeiro, citado por 54,8% dos entrevistados, seguido do adiamento do pagamento, para uso dos recursos em outras finalidades (39,5%), pela contestação da dívida (15,1%) e da perda de prazo por esquecimento (9,1%).

Para a diretora institucional da Fecomércio Ceará, Cláudia Brilhante, apesar do endividamento das famílias permanecer elevado, ele está relativamente estável e sustentado por um padrão de crédito voltado à gestão do consumo cotidiano. “A evolução desses indicadores nos próximos meses vai depender do comportamento da renda do trabalho, do custo do crédito e dos preços dos itens básicos. Se a renda crescer e o crédito ou os preços ficarem mais estáveis, as famílias podem ganhar um pouco mais de fôlego financeiro”, comenta.

Comprometimento da renda

Em Fortaleza, os consumidores destinam, em média, 41,9% da renda familiar para pagar dívidas, resultado 0,3 pontos percentuais abaixo do verificado em fevereiro (42,2%). O endividamento médio é de R$ 1.898 com prazo médio de nove meses para o seu vencimento total.

Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são: cartões de crédito, citados por 76,9% dos entrevistados; financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 18,4%; os empréstimos pessoais, com 12,6% e carnês e crediários, com 3,1%.

Os resultados da pesquisa revelam que são os gastos correntes que predominantemente contribuem para o endividamento, destacando-se a compra de alimentos a prazo, mencionada por 59,4% dos entrevistados. Além disso, são citadas a cobertura de tratamentos de saúde (29,4%), aquisição de itens de vestuário (25,6%) e o pagamento de aluguel residencial (24,0%).

A presença significativa de compras parceladas associadas a despesas correntes indica que o crédito cumpre um papel de amortecedor financeiro de curto prazo, permitindo que as famílias ajustem o fluxo de caixa diante de pressões inflacionárias, volatilidade de renda ou despesas inesperadas.

Esse padrão tende a produzir uma aparente resiliência dos indicadores agregados de endividamento, pois a pulverização das dívidas em valores relativamente baixos, distribuídas em múltiplos instrumentos de crédito e com prazos curtos ou médios, só será alterado com um choque de renda.

Inadimplência potencial

A taxa de inadimplência potencial, que indica a proporção de consumidores que enfrentarão dificuldades financeiras para quitar suas dívidas, é de 10,0%, com um aumento de 1,4 pontos percentuais sobre o resultado de fevereiro (8,6%) e abaixo do indicador de março do ano passado (10,2%).

O perfil do consumidor em situação de inadimplência revela preponderância do grupo do sexo feminino, com taxa de 11,5%, com idade acima dos 35 anos (11,2%) e do estrato com renda familiar mensal inferior a três salários-mínimos, com taxa de 10,9%.

Orçamento familiar

A pesquisa ainda revela que 75,1% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz dos seus gastos e rendimentos, o que contribui para uma melhor gestão dos níveis de endividamento. Dos entrevistados, 13,9% relataram que fazem orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 11,1% informaram não possuir orçamento e tampouco controle dos gastos.

A fragilidade no planejamento financeiro é um dos principais problemas para controlar o endividamento e frequentemente leva a atrasos ou inadimplência. Entre os motivos mais citados pelos consumidores para o desequilíbrio financeiro, estão:

  • A falta de orçamento e controle dos gastos, com 51,0% das respostas;
  • O aumento dos gastos considerados essenciais, com 29,4%;
  • Compras por impulso, com 25,8%;
  • Gastos imprevistos, com 18,2%;
  • Compras antecipadas, com 15,2%;
  • Desemprego, com 14,2%.