Comparativo entre 2025 e 2026 revela expansão expressiva no início do ano, seguida de queda acentuada — e o perfil setorial que não muda
O primeiro trimestre de 2026 registrou volume de abertura de empresas significativamente superior ao mesmo período de 2025. Enquanto janeiro de 2025 somou 3.997 novos CNPJs, janeiro de 2026 chegou a 5.008 — alta de 25%. Fevereiro seguiu trajetória semelhante: 2.520 em 2025 contra 4.077 em 2026, crescimento de 62%. Março, por sua vez, foi o único mês em que os dois anos convergiram para patamares próximos: 2.063 aberturas em 2025 e 2.205 em 2026, diferença de apenas 7%.
Esse salto em janeiro e fevereiro de 2026 pode refletir a antecipação de decisões empreendedoras represadas no final de 2025, período em que o gráfico mostra volumes relativamente baixos — 2.421 em novembro e 2.451 em outubro. A abertura concentrada no início do ano é um padrão recorrente, mas a magnitude de 2026 sugere também o efeito de políticas de fomento ao empreendedorismo ou de mudanças regulatórias que facilitaram o registro de novos negócios.
Ao longo de todo o período analisado — de janeiro de 2025 a março de 2026 —, o perfil setorial permaneceu praticamente estável. Cabeleireiros, manicures e pedicures, comércio varejista de vestuário, lanchonetes e serviços de entrega rápida sustentam posições de destaque mês a mês. Trata-se de um empreendedorismo predominantemente de necessidade: setores que exigem baixa escolaridade formal, demandam pouco capital inicial e operam com margens estreitas. A formalização via MEI representa avanço legal, mas não necessariamente mobilidade econômica ou acesso a renda mais estável.
Para que o crescimento no volume de novas empresas se converta em desenvolvimento econômico real, especialistas defendem que é necessário ir além da facilitação do registro. Investimentos em qualificação profissional continuada — via SENAI, SENAC e programas estaduais —, acesso a crédito orientado e políticas de apoio à gestão são condições fundamentais para que o empreendedor migre de atividades de subsistência para negócios com capacidade de gerar emprego e renda sustentável. Sem esse suporte, o mapa de aberturas de empresas continuará espelhando as desigualdades estruturais do mercado de trabalho — e não o potencial transformador que o empreendedorismo poderia representar.