O endividamento dos consumidores de Fortaleza permaneceu em 67,8% em setembro, mesmo percentual registrado em agosto. O índice está no menor patamar dos últimos 12 meses e também representa uma redução em relação a setembro de 2025, quando 68,7% dos consumidores tinham algum tipo de dívida. Os dados são da Pesquisa do Endividamento do Consumidor, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), da Fecomércio Ceará.
Para o presidente da Fecomércio Ceará, o resultado traz uma perspectiva positiva para o ambiente de consumo, já que a menor pressão das dívidas sobre o orçamento pode dar mais espaço para as famílias administrarem suas despesas e manterem o consumo.
“A estabilidade do endividamento, acompanhada pela redução do comprometimento da renda com as dívidas, mostra um cenário mais equilibrado para as famílias de Fortaleza. Para o comércio, esse movimento é positivo porque um orçamento doméstico menos pressionado pode favorecer a disposição dos consumidores para realizar compras e contratar serviços. O resultado mostra que as famílias vêm buscando administrar melhor seus compromissos financeiros, o que contribui para um ambiente de consumo mais estável”, pondera.
Em setembro, os consumidores destinaram, em média, 40,8% da renda familiar ao pagamento de dívidas. O percentual ficou 1 ponto percentual abaixo dos 41,8% registrados em agosto. O valor médio das dívidas foi de R$ 1.914, com prazo médio de nove meses para quitação.
A análise do IPDC aponta que a manutenção do endividamento em 67,8%, no menor patamar dos últimos 12 meses, ocorre junto à redução do percentual da renda familiar destinado ao pagamento de dívidas. O movimento pode estar relacionado a uma postura mais cautelosa na contratação de novos compromissos ou a um processo gradual de reorganização dos orçamentos domésticos.
O cartão de crédito continua sendo o principal instrumento de crédito utilizado pelos consumidores, citado por 82,9% dos entrevistados. Entre os gastos que mais contribuem para o endividamento, a compra de alimentos a prazo aparece em primeiro lugar, mencionada por 60% dos consumidores. Vestuário foi citado por 26,1%, tratamentos de saúde por 25,5% e aluguel residencial por 24,4%.
Apesar da estabilidade no indicador geral, a pesquisa registra aumento entre os consumidores com contas em atraso. O percentual passou de 16,5% em agosto para 17,8% em setembro, alta de 1,3 ponto percentual. O prazo médio de atraso é de 78 dias.
O principal motivo apontado para o não pagamento das dívidas é o desequilíbrio financeiro, citado por 55,5% dos entrevistados. Outros 37,9% afirmaram ter adiado o pagamento para utilizar os recursos em outras finalidades. A contestação da dívida aparece com 10,2% e o esquecimento do prazo, com 6,9%.
A inadimplência potencial também apresentou leve alta, passando de 8,5% em junho para 8,8% em setembro. O indicador considera os consumidores que afirmam enfrentar dificuldades financeiras para quitar suas dívidas.
Entre os consumidores endividados, a maior taxa está entre aqueles com idade de 25 a 34 anos, com 76,6%, e entre os que possuem renda familiar acima de sete salários mínimos, com 79,1%. Entre as mulheres, o índice chega a 69,9%.
Orçamento familiar
O levantamento mostra que 78,6% dos consumidores de Fortaleza fazem orçamento mensal e acompanham de forma eficaz seus gastos e rendimentos. Outros 13,9% afirmam fazer orçamento, mas sem controle eficaz das despesas, enquanto 7,5% não possuem orçamento nem controle dos gastos.
Entre os principais motivos para o desequilíbrio financeiro estão a falta de orçamento e controle dos rendimentos, citada por 48,1% dos entrevistados, o aumento dos gastos essenciais, com 29%, e os gastos imprevistos, com 21,1%.
A pesquisa aponta, assim, um cenário de estabilidade no nível geral de endividamento e de menor comprometimento médio da renda, embora o aumento das contas em atraso mostre que parte dos consumidores ainda enfrenta dificuldades para manter os compromissos financeiros em dia.