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Ano começa com queda do endividamento em Fortaleza

Por Ascom, 19/01/26 - 15:48

Destaque

O ano de 2026 iniciou com sinais positivos para o equilíbrio financeiro das famílias de Fortaleza. A Pesquisa do Endividamento do Consumidor, realizada pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), aponta que 67,6% dos consumidores da Capital possuem algum tipo de dívida (contas a pagar) em janeiro. O resultado representa uma redução de 2,0 pontos percentuais em relação a dezembro de 2025 (69,6%) e confirma a tendência de queda observada na comparação anual, já que em janeiro do ano passado o índice era de 74,4%.

O perfil do consumidor endividado permanece concentrado entre homens (67,7%), pessoas com idade entre 25 e 34 anos (73,1%) e famílias com renda mensal de até três salários-mínimos (69,2%).

Apesar da redução do endividamento total, houve leve aumento no percentual de consumidores com contas em atraso. O índice passou de 19,2% em dezembro para 19,6% em janeiro, ainda abaixo do registrado no mesmo período de 2025 (20,6%). Entre os inadimplentes, predominam consumidores do sexo masculino (22,5%), com mais de 35 anos (21,3%) e renda familiar de até três salários-mínimos (23,4%).

O prazo médio de atraso é de 77 dias. As principais razões apontadas para o não pagamento das dívidas são o desequilíbrio financeiro (54,2%), o adiamento do pagamento para uso dos recursos em outras finalidades (32,0%), a contestação da dívida (12,1%) e o esquecimento do prazo (7,3%).

Comprometimento da renda e perfil do crédito

Em janeiro, os consumidores de Fortaleza destinam, em média, 34,5% da renda familiar para o pagamento de dívidas. O endividamento médio é de R$ 1.749, com prazo médio de oito meses para quitação total.

Os instrumentos de crédito mais utilizados continuam sendo o cartão de crédito, citado por 72,5% dos entrevistados, seguido do financiamento bancário (13,0%), empréstimos pessoais (8,8%) e carnês ou crediários (4,2%).

Os dados mostram que os gastos correntes são os principais responsáveis pelo endividamento. A compra de alimentos a prazo lidera as menções (47,6%), seguida do pagamento de aluguel residencial (29,7%), aquisição de vestuário (20,0%) e despesas com tratamentos de saúde (16,8%).

Inadimplência potencial e perspectivas

A taxa de inadimplência potencial, que indica consumidores que podem enfrentar dificuldades para quitar suas dívidas, ficou em 9,7%, acima do resultado de dezembro (8,2%) e ligeiramente abaixo do registrado em janeiro de 2025 (9,8%). O indicador reforça uma tendência gradual de melhoria da solvência e do comprometimento da renda, o que pode favorecer as vendas a prazo ao longo de 2026.

O perfil do consumidor em inadimplência potencial segue concentrado entre homens (11,6%), pessoas com mais de 35 anos (11,3%) e famílias com renda mensal inferior a três salários-mínimos (11,9%).

Orçamento familiar ainda é desafio

A pesquisa revela que 79,3% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal com acompanhamento eficaz dos gastos. Outros 11,3% fazem orçamento, mas sem controle efetivo, enquanto 9,5% não possuem qualquer tipo de planejamento financeiro.

A falta de organização do orçamento doméstico permanece como um dos principais fatores de desequilíbrio financeiro. Entre os motivos mais citados estão a ausência de controle dos gastos (43,2%), o aumento das despesas essenciais (25,5%), gastos imprevistos (21,6%), compras por impulso (19,4%) e compras antecipadas (13,6%).

Análise

De acordo com a diretora institucional da Fecomércio-Ce, Cláudia Brilhante, os resultados indicam que as famílias de Fortaleza estão, em média, conseguindo honrar melhor seus compromissos financeiros. Esse avanço, segundo ela, depende da manutenção de práticas consistentes de planejamento, controle de gastos e redução do endividamento.  “A nossa perspectiva é que o ano de 2026 possa ser um ano mais regular, onde as pessoas priorizem pagar as suas dívidas, comprar à vista e não ficar com tantas prestações altas”, aponta.

Para o comércio e o setor de serviços, o cenário é positivo, mas exige cautela, segundo a diretora. Há espaço para ampliar as vendas a prazo, desde que as políticas de crédito considerem a renda limitada de parte significativa das famílias e o peso crescente das despesas essenciais. O momento favorece o crescimento, desde que o crédito seja concedido de forma responsável e alinhada à real capacidade de pagamento do consumidor.

“Alertamos que ainda temos uma quantidade muito grande de pessoas comprando no cartão de crédito e não conseguindo pagar. Então, o Sistema Fecomércio aproveita o momento para orientar o consumidor: não adianta o consumidor fazer a listia das suas despesas e não cumpri. A pesquisa nos mostra que a lista está feita, mas não está sendo cumprida. Então, isso não resolve financeiramente o orçamento”, destaca.

Relatório Completo:01_2026_Fortaleza_Perfil de Endividamento do Consumidor