A Pesquisa de Endividamento do Consumidor em Fortaleza, referente a abril de 2026, aponta que 71,4% das famílias possuem algum tipo de dívida. O índice apresenta leve recuo de 0,1 ponto percentual em relação a março (71,5%) e mantém estabilidade na comparação anual, repetindo o mesmo patamar de abril de 2025. O levantamento é realizado pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC).
O perfil do consumidor endividado é predominantemente feminino (72,4%), com maior concentração na faixa de 25 a 34 anos (74,8%) e entre aqueles com renda de três a sete salários-mínimos (79,2%).
Por outro lado, o percentual de consumidores com contas em atraso subiu para 22,2%, crescimento de 2,3 pontos percentuais frente a março (19,9%) e acima de abril do ano passado (18,6%). Nesse grupo, predominam mulheres (23,7%), pessoas acima de 35 anos (23,8%) e famílias com renda de até três salários-mínimos (23,8%). O atraso médio é de 75 dias e, entre os principais motivos para o não pagamento das dívidas, destacam-se o desequilíbrio financeiro (55,7%), o adiamento de pagamentos para uso dos recursos em outras finalidades (38,7%), a perda de prazo por esquecimento (11,1%) e a contestação da dívida (10,8%).
Comprometimento da renda
O comprometimento da renda também aumentou, atingindo 42,8% (ante 41,9% em março). Em média, o endividamento é de R$ 1.910, com prazo de oito meses para quitação total. Os instrumentos de crédito mais utilizados são o cartão de crédito (79,5%), seguido de financiamentos bancários (15,3%), empréstimos pessoais (12,1%) e carnês e crediários (3,0%).
O endividamento está concentrado em despesas essenciais, com destaque para alimentos (61,0%), vestuário (25,4%), aluguel (24,8%) e saúde (24,1%). Esse padrão indica um nível elevado de comprometimento da renda, associado a um perfil de endividamento de curto prazo e fortemente vinculado ao consumo corrente. A concentração das dívidas em itens essenciais revela o uso do crédito como mecanismo de compensação diante de restrições de renda, evidenciando também uma menor capacidade de poupança das famílias.
Inadimplência
A inadimplência potencial alcançou 10,6%, acima de março (10,0%) e de abril de 2025 (9,7%). O perfil desse grupo é majoritariamente feminino (12,3%), composto por pessoas acima de 35 anos (12,9%) e com renda inferior a três salários-mínimos (12,5%).
Apesar do cenário, 76,8% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal com controle eficaz dos gastos, enquanto 12,4% fazem planejamento, mas sem controle efetivo, e 10,7% não possuem qualquer tipo de organização financeira. Entre os principais fatores de desequilíbrio estão a falta de controle e planejamento (45,4%), o aumento de despesas essenciais (31,7%), gastos imprevistos (21,4%), desemprego (15,8%), compras por impulso (14,2%) e compras antecipadas (12,6%).
O cenário indica estabilidade no nível de endividamento, mas com piora na qualidade dos indicadores. O elevado comprometimento da renda, aliado ao uso de crédito para despesas básicas, revela menor capacidade de poupança e maior vulnerabilidade das famílias a choques econômicos, exigindo atenção contínua à evolução da inadimplência e das condições de renda e crédito.