Por Ascom, 21/05/26 - 17:48
No interior da Chapada do Araripe, o Sistema Fecomércio Ceará, por meio do Sesc, inaugurou nesta quinta-feira, 21, o seu 29º Museu Orgânico. O Museu Escola de Agrofloresta do Mestre Zé Artur é um exemplo de práticas de convivência com o semiárido e está localizado no Sítio Patos, em Nova Olinda. A homenagem é um reconhecimento ao trabalho realizado por Zé Artur em respeito ao solo e à natureza.
José Raimundo de Matos, seu Zé Artur, nasceu e cresceu trabalhando na agricultura. Desde pequeno, acompanhando o trabalho dos pais, deu seguimento às mesmas práticas que desgastavam o solo, mas mudou o sistema de manejo da terra após uma experiência com um grupo de pesquisadores, passando a valorizar a agricultura sustentável e a agroecologia. Assim, o Sítio Escola Mestre Zé Artur passou a ser reconhecido por preservar a atividade agroflorestal, combatendo a queimada e desenvolvendo a harmonia consorciada entre o cultivo e a natureza existente.
De acordo com o superintendente do Sistema Fecomércio, Henrique Javi, para além da importância da campanha em reconhecimento da Chapada do Araripe como patrimônio da humanidade, a inauguração de mais um museu orgânico no Cariri evidencia a riqueza dos mestres da cultura popular que, através de uma história de vida, constroem e reconstroem verdadeiros tesouros imateriais que ficarão de legado para as próximas gerações.
“Mestre Zé Arthur tem oito décadas dedicado a um trabalho voltado para mostrar o quanto é forte a relação do homem com a natureza. E é essa, talvez, a grande lição que tem aqui, que a gente possa devolver para a natureza, através do nosso trabalho, aquilo que ela nos dá todo dia. É um motivo de muito orgulho e muita gratidão poder estar aqui pelo Sistema Fecomércio, garantindo que, através dos museus orgânicos, a nossa história, a nossa cultura sobreviva pelos tempos além”, destacou.
Florescer e reviver
Zé Artur conheceu uma nova forma de lidar com a terra em 1995, após uma capacitação promovida pela Associação Cristã de Base (ACB) com técnicos alemães, quando aprendeu a tratar o solo de forma sustentável. Nos últimos 30 anos, a terra cultivada por ele não sabe o que é queimada ou agrotóxicos, longe disso; seu o terreno é cheio de diferentes culturas e vive coberto de galhos e de folhas verdes e secas, matéria orgânica natural.
Com a consciência de quem viu sua terra florescer e reviver com o sistema agroflorestal, o Mestre é hoje uma referência para todo semiárido brasileiro, ensinando para as novas gerações o jeito certo e sustentável de produzir alimentos.
Além da produção, ele e sua esposa, Dona Bastinha, mantêm uma pousada comunitária voltada ao turismo rural e ecológico. O local recebe a visita de estudiosos e pesquisadores de vários lugares do Brasil e do Mundo. Na sua opinião, ser reconhecido como um museu orgânico é uma grande felicidade, é o bem sendo colhido após tantos anos sendo plantado.
“Maior felicidade que a gente tem hoje é alcançar um objetivo que a gente alcançou num lugar desse. O povo pergunta, mas Zé Artur, como é que tu consegue isso aí? Eu digo que é pelo conhecimento que eu implantei, por onde eu andei só fiz o bem. Quem planta o bem mais tarde recebe o bem”, definiu.
Sobre a agrofloresta
A atividade agroflorestal é uma prática que possibilita uma melhor convivência com as adversidades de ordem climática tão presentes nas regiões semiáridas. A agricultura agroflorestal supera, em viabilidade econômica, a agricultora convencional, apresentando um rendimento duas vezes maior em ganhos financeiros. As características físicas e químicas do solo, no sistema agroflorestal, superam positivamente a agricultura convencional.
Apresentando resultados positivos, as experiências agroflorestais expandiram-se, ganharam importância, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico de algumas regiões nordestinas, a exemplo da Chapada do Araripe, no Ceará.
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