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Pesquisa Fecomércio. Contas em atraso atingem  menor nível dos últimos cinco anos em Fortaleza

Por Ascom, 22/07/26 - 11:53

Destaque

A Pesquisa de Endividamento do Consumidor em Fortaleza, realizada pela Fecomércio Ceará, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), mostra que 69,6% das famílias da capital possuíam algum tipo de dívida em julho de 2026. O índice apresentou leve alta de 0,5 ponto percentual em relação a junho (69,1%), permanecendo acima do registrado no mesmo período do ano passado (65,6%). Apesar da estabilidade no nível de endividamento, a pesquisa confirma a continuidade da melhora na qualidade do crédito, refletida na redução dos indicadores de atraso no pagamento das dívidas.

O perfil do consumidor endividado é predominantemente masculino (70,1%), com maior concentração entre pessoas de 25 a 34 anos (74,3%) e consumidores com renda familiar superior a sete salários mínimos (77,7%).

O principal destaque do levantamento está na redução do percentual de consumidores com contas em atraso, que caiu para 16,8%, resultado 0,5 ponto percentual inferior ao registrado em junho (17,3%) e o menor índice dos últimos cinco anos. Entre os consumidores inadimplentes predominam homens (17,1%), pessoas com mais de 35 anos (18,0%) e famílias com renda de até três salários mínimos (17,6%).

O prazo médio de atraso ficou em 73 dias. Entre os principais motivos para o não pagamento das obrigações estão o adiamento dos pagamentos para utilização dos recursos em outras finalidades (45,6%), o desequilíbrio financeiro (45,3%), a contestação da dívida (12,8%) e a perda do prazo por esquecimento (6,9%).

Crédito segue concentrado nas despesas do dia a dia

Os consumidores de Fortaleza destinam, em média, 41,0% da renda familiar ao pagamento de dívidas, percentual praticamente estável em relação a junho (40,7%). O valor médio do endividamento foi estimado em R$ 1.851, com prazo médio de oito meses para quitação total.

O cartão de crédito segue como principal modalidade utilizada pelos consumidores, citado por 82,4% dos entrevistados. Na sequência aparecem os financiamentos bancários (15,2%), os empréstimos pessoais (10,1%) e os carnês e crediários (3,1%).

Assim como nos meses anteriores, os gastos correntes permanecem como os principais responsáveis pelo endividamento das famílias. A compra de alimentos a prazo lidera o ranking, mencionada por 61,3% dos entrevistados, seguida pelas despesas com saúde (31,0%), vestuário (27,3%) e educação (23,4%). O resultado reforça que o crédito continua sendo utilizado, em grande medida, para complementar o orçamento doméstico e atender despesas essenciais.

Organização financeira favorece equilíbrio do crédito

A taxa de inadimplência potencial, indicador que mede a proporção de consumidores que poderão enfrentar dificuldades para quitar suas dívidas, ficou em 8,7%, alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho (8,1%). Apesar da elevação, o índice permanece em um dos menores níveis observados desde a pandemia.

Nesse grupo predominam mulheres (9,2%), consumidores com mais de 35 anos (10,1%) e famílias com renda inferior a três salários mínimos (9,4%).

A pesquisa mostra ainda que 73,7% dos consumidores realizam orçamento mensal e acompanham de forma efetiva suas receitas e despesas. Outros 14,6% afirmam fazer algum planejamento financeiro, mas sem controle adequado dos gastos, enquanto 11,7% não possuem qualquer tipo de organização financeira.

Entre os fatores mais apontados para o desequilíbrio das contas estão a falta de planejamento financeiro (58,3%), o aumento das despesas essenciais (28,5%), os gastos imprevistos (21,1%), as compras por impulso (18,2%) e as compras antecipadas (9,5%).

Os resultados indicam que Fortaleza mantém um mercado de crédito mais equilibrado, marcado pela estabilidade do endividamento e pela melhora da qualidade do crédito. A continuidade desse cenário dependerá da manutenção do emprego, da renda das famílias e de uma oferta de crédito responsável, fatores que podem consolidar um ambiente ainda mais favorável ao consumo e à atividade econômica nos próximos meses.