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Pesquisa Fecomércio. Qualidade do crédito melhora e endividamento recua em Fortaleza

Por Ascom, 17/06/26 - 14:21

Destaque

A Pesquisa de Endividamento do Consumidor em Fortaleza, realizada pela Fecomércio Ceará por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), mostra que 69,1% das famílias da capital possuíam algum tipo de dívida em junho de 2026. O índice apresentou redução de 3,3 pontos percentuais em relação a maio (72,4%) e ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (80,0%), indicando uma trajetória gradual de melhora nas condições financeiras das famílias.

O perfil do consumidor endividado é predominantemente feminino (72,0%), com maior concentração entre pessoas de 25 a 34 anos (74,0%) e consumidores com renda familiar superior a sete salários-mínimos (78,6%).

O principal destaque da pesquisa está na melhora dos indicadores de qualidade do crédito. O percentual de consumidores com contas em atraso caiu para 17,3%, resultado 3,0 pontos percentuais inferior ao observado em maio (20,3%) e o melhor desempenho registrado desde a pandemia de Covid-19. Entre os consumidores com dívidas em atraso, predominam mulheres (17,8%), pessoas com mais de 35 anos (19,5%) e famílias com renda de até três salários-mínimos (18,7%).

O prazo médio de atraso é de 76 dias e entre os principais motivos para o não pagamento das obrigações destacam-se o desequilíbrio financeiro (51,7%), o adiamento de pagamentos para utilização dos recursos em outras finalidades (42,5%), a perda de prazo por esquecimento (10,7%) e a contestação da dívida (6,3%).

Menor comprometimento da renda

Os consumidores de Fortaleza destinam, em média, 40,7% da renda familiar ao pagamento de dívidas, percentual inferior ao registrado em maio (42,5%). O valor médio do endividamento é de R$ 1.899, com prazo médio de oito meses para quitação total.

O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de crédito utilizado, citado por 85,2% dos entrevistados, seguido pelos financiamentos bancários (15,7%), empréstimos pessoais (9,7%) e carnês e crediários (5,0%).

Os gastos correntes continuam sendo os principais responsáveis pelo endividamento das famílias. A compra de alimentos a prazo lidera com 58,1%, seguida por itens de vestuário (27,8%), eletrodomésticos (27,4%) e despesas com saúde (25,7%). O resultado mostra que o crédito segue sendo utilizado, em grande parte, para complementar o orçamento doméstico e garantir o consumo de itens essenciais.

Inadimplência potencial atinge menor nível desde 2022

A inadimplência potencial, indicador que mede a proporção de consumidores que poderão enfrentar dificuldades para quitar seus compromissos financeiros, recuou para 8,1%, redução de 1,7 ponto percentual em relação a maio (9,8%) e o melhor resultado observado desde 2022.

Nesse grupo, predominam consumidores do sexo feminino (8,2%), com idade acima de 35 anos (8,8%) e renda familiar inferior a três salários-mínimos (9,0%).

A pesquisa revela ainda que 75,8% dos consumidores afirmam realizar orçamento mensal e acompanhamento eficaz de receitas e despesas. Outros 13,6% fazem algum planejamento, mas sem controle efetivo dos gastos, enquanto 10,6% não possuem qualquer tipo de organização financeira.

Entre os principais fatores apontados para o desequilíbrio das contas estão a falta de planejamento financeiro (48,8%), o aumento das despesas essenciais (32,8%), compras por impulso (21,4%), gastos imprevistos (16,7%) e compras antecipadas (10,9%).

Os resultados de junho indicam uma melhora consistente da saúde financeira das famílias de Fortaleza. A redução do endividamento, das contas em atraso, da inadimplência potencial e do comprometimento da renda aponta para um ambiente de crédito mais equilibrado, embora o uso de crédito para despesas essenciais ainda represente um desafio para parte dos consumidores.